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17 Set
Por: mat 0 2

DISCURSO CENTRAL POR OCASIÃO DO 17 DE SETEMBRO – DIA DO FUNDADOR DA NAÇÃO E DO HERÓI NACIONAL

DISCURSO DE SUA EXCELÊNCIA DR. BORNITO DE SOUSA, VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA DE ANGOLA, POR OCASIÃO DO «17 DE SETEMBRO, DIA DO FUNDADOR DA NAÇÃO E DO HERÓI NACIONAL»

LUANDA, 17 DE SETEMBRO DE 2020

 

Sua Excelência, Dra. Joana Lina, Governadora da Província de Luanda,

Senhor Ministro da Administração do Território, Dr. Marcy Lopes,

Familiares do Dr. António Agostinho Neto aqui presentes,

Distintos Deputados, Ministros, Ministros e Secretários de Estado,

Senhores Representantes dos Partidos Políticos,

Digníssimas Autoridades Provinciais e Municipais, civis, militares e policiais,

Distintos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria,

Excelentíssimas Entidades Eclesiásticas,

Caros Jornalistas, Representantes de organizações não estatais e Autoridades Tradicionais,

Excelências,

Minhas senhoras, meus senhores,

Em nome e representação de Sua Excelência, o Presidente da República, Dr. João Manuel Gonçalves Lourenço, permitam-me saudá-los, bem como a todos os Angolanos, de Cabinda ao Cunene e do Mar ao Leste, às Comunidades angolanas residentes no estrangeiro e aos cidadãos estrangeiros residentes em Angola.

Excelências,

Comecei esta intervenção declamando o poema «CONFIANÇA» do Poeta-Maior, Dr. António AGOSTINHO NETO, Fundador da Nação Angolana.

É uma poesia que projecta o sentimento de consanguinidade, de cultura e história comuns para além dos Oceanos, o infindável “Kalunga”, o grande rio cuja margem oposta nossos olhos não alcançam e que representa hoje a Diáspora africana e a sexta Região da União Africana.

Uma ilustração da beleza inquestionável da sua obra poética, roçando a perfeição, e da sua dimensão política e intemporal, ao nível dos maiores líderes da história do continente africano e do mundo.

Excelências,

Minhas senhoras e meus senhores,

A 17 de Setembro de 1922 nascia em Caxicane, território dos actuais Município de ICOLO e Bengo e Província de Luanda, aquele que viria a ser o Primeiro Presidente de Angola independente, o Dr. António AGOSTINHO NETO.

Esta data está hoje consagrada e é celebrada como o DIA DO FUNDADOR DA NAÇÃO E DO HERÓI NACIONAL.

Filho do pastor da Igreja Metodista Unida Americana e professor, Agostinho Pedro Neto, e da professora Maria da Silva Neto, Agostinho Neto fez os seus estudos secundários no Liceu Nacional Salvador Correia, em Luanda. Licenciou-se, depois, em medicina na Universidade de Lisboa, Portugal, onde desenvolveu intensa actividade política, no seio dos movimentos de estudantes e jovens independentistas africanos, e casou-se com Maria Eugénia Neto, escritora, poetisa e jornalista.

Agostinho Neto deixou a sua marca enquanto Estadista, Político, Diplomata, Homem de cultura, Médico e Humanista, tendo dedicado o seu melhor empenho na gestão de um País recém-independente e ainda envolto em conflitos internos e agressão externa.

Um país carente de todo o tipo de Quadros e de experiência governativa.

São de Agostinho Neto frases intemporais com dimensão nacional, africana e universal, como:

“De Cabinda ao Cunene, Um só povo e uma só Nação!”

– Frase que assinala a importância de unidade e da harmonia entre todos os angolanos, independentemente do seu local de nascimento, cor, etnia e estatuto político, social ou acadêmico;

“O mais importante é resolver os problemas do povo.”

– Actual, apenas exigindo hoje o envolvimento e participação das comunidades beneficiárias, sendo disso excelentes exemplos, os Orçamentos Participativos e o Voluntariado.

“A agricultura é a base e a indústria, o factor decisivo do desenvolvimento.”

– Sem prejuízo do papel central que o próprio Presidente Neto atribuiu à Educação, nomeadamente com o lançamento de uma campanha massiva de Alfabetização a 22 de Novembro de 1977, apenas agora estamos a acordar para essa orientação. O PRODESI e os programas que apontam agora para a importância da agricultura, da indústria, de produzir bens e serviços localmente e, sobretudo, das vantagens da sua transformação em Angola, são sinais da libertação da tradicional dependência das importações em que o País mergulhou.

Existem outras:

“Angola é e sempre será por vontade própria, a trincheira firme da revolução em África.”

“A África parece um corpo inerte onde cada um vem debicar o seu pedaço.”

“Ah, quem comparou a África a uma interrogação cujo ponto é Madagáscar?” (Do Poema “SIM, EM QUALQUER POEMA”)

É também de Agostinho Neto a célebre  frase “No Zimbabwe, na Namíbia e na África do Sul está a continuação da nossa luta.” Concretizada já sob a égide do então Presidente José Eduardo dos Santos, com o sacrifício dos heróicos combatentes das FAPLA e das populações angolanas, bem como de internacionalistas, resultando na Independência do Zimbabwe em 1980, e, na sequência da célebre Batalha do Cuito CUANAVALE, da Namíbia, em 1990, bem como na libertação de Nelson Mandela, nesse mesmo ano.

Excelências,

Minhas Senhoras e meus Senhores,

A liderança e o sentido de Estado de Agostinho Neto podem ser ilustrados por um episódio, talvez pouco conhecido, que foi a sua primeira visita de Estado à então República do Zaíre de Mobutu Sesse Seko, actual RDC. Era o dia 19 de Agosto de 1977.

Tratava-se de um país que havia apoiado a invasão ao norte de Angola, a par da invasão, a sul, pelo exército da então África do Sul racista e de apartheid. Por outras palavras, um país inimigo.

Agostinho Neto “justificou-se” então assumindo que um dirigente, para sê-lo de verdade, tinha o dever de enfrentar até os riscos ou de nada valia ser dirigente. É nos momentos difíceis, momentos de maior pressão, que devemos ser capazes de agir com a cabeça fria, com serenidade e discernimento, com sabedoria.

E contra os justificados receios dos seus Camaradas e da sociedade, Agostinho Neto viajou para a República do Zaíre e reuniu-se com o seu «irmão-inimigo» Mobutu, acabando por desanuviar as relações entre os dois Estados e lançar as pontes para melhorar o entendimento entre os dois povos vizinhos.

Excelências,

Minhas senhoras, meus senhores,

O mundo está a viver um ano difícil. A Pandemia de Covid-19 é um mal que se abate sobre todos os países do mundo para a qual não há ainda medicação segura nem certeza temporal ou da eficiência de quaisquer vacinas.

Apelamos, assim, a que sejamos rigorosos na observação e cumprimento das directivas das autoridades sanitárias a nível das famílias e dos locais de trabalho e de estudo, bem como na rua, nos transportes colectivos e nos locais abertos ao público, para se cortar a transmissão do coronavírus, manter a propagação da pandemia em níveis controláveis e criarem-se condições para um retorno controlado a uma nova “normal” vida.

Aproveitamos a oportunidade para saudar o empenho de todos quantos estão a contribuir para que o país se mantenha em funcionamento e se reduzam, ao mínimo, os efeitos negativos da Pandemia de Covid-19, nomeadamente:

» DIRECÇÃO, MÉDICOS, ENFERMEIROS E TÉCNICOS DE SAÚDE, PESSOAL DE APOIO E ADECOS;

» EMPRESÁRIOS, AGRICULTORES INDUSTRIAIS E FAMILIARES QUITANDEIRAS E COMERCIANTES;

PROFISSIONAIS LIBERAIS E PRESTADORES DE SERVIÇOS;

» EFECTIVOS DOS ÓRGÃOS DE DEFESA, SEGURANÇA E ORDEM INTERNA;

» CAMIONISTAS, TAXISTAS, MARINHEIROS, PILOTOS, FERROVIÁRIOS E PESSOAL DOS PORTOS E AEROPORTOS;

» JORNALISTAS E DEMAIS PROFISSIONAIS DA COMUNICAÇÃO SOCIAL;

» AUTORIDADES ECLESIÁSTICAS;

» TRABALHADORES DO SECTOR DE ENERGIA E ÁGUAS; E

» TRABALHADORES DE LIMPEZA E SANEAMENTO URBANO, EMPRESARIAL, INSTITUCIONAL E DOMICILIAR.

Não podemos deixar de assinalar aqui o papel de liderança e empenho do Presidente da República, Dr. João Manuel GONÇALVES Lourenço, nomeadamente na superior direcção da gestão da Pandemia e na priorização de recursos para a enfrentar.

Uma saudação particular aos Professores e trabalhadores do importantíssimo sector da Educação que têm em mãos o desafio de repor o funcionamento das Escolas e Universidades em condições de Pandemia.

Uma Homenagem aos Homens que aceitaram libertar suas colegas mulheres dos serviços, assumindo a frente de batalha laboral em meio de crise.

Uma Ilimitada homenagem à Mulher angolana que teve e ainda está a lidar com os nossos queridos meninos, irrequietos, imparáveis e, por vezes, insaciáveis famintos em casa, desempenhando simultaneamente o papel de mãe, esposa, cozinheira, empregada, professora e babá das crianças, enfermeira de casa e apoio financeiro à família, trabalhando de dia e noite, sem horário.

Registamos positivamente o gesto autocrítico de Autoridades públicas perante um inusitado número de fatalidades ocorridas em circunstâncias aparentemente evitáveis. Mais do que desculpas, faz-se necessário identificar as causas das ocorrências e adoptar medidas adequadas e treino específico para as corrigir, mediante uma Pandemia com que deveremos ter de conviver por mais ou menos longos anos.

Ao mesmo tempo, devem ser levadas a cabo iniciativas no sentido de assegurar o respeito do cidadão pela lei, pela autoridade pública e pelos bens públicos e de terceiros pois democracia sem Autoridade gera em anarquia.

Por outro lado, esta Pandemia aumentou em todo o mundo o desemprego e as bolsas de pobreza. E Angola não é excepção.

Não devemos, por isso, perder o foco reflectido no Programa revisto para o período de 2020 a 2022, que visa, dentre outros, promover a luta contra a corrupção, aumentar a produção nacional, promover a transformação local dos bens e matérias-primas, melhorar o ambiente de negócios e os serviços de Educação, Saúde e Protecção Social, promover o combate à pobreza e o desenvolvimento das comunidades e criar as condições para a organização das eleições locais.

E não podemos perder de vista o facto de que a Malária é ainda a primeira causa de morte em Angola devendo, a par da Tuberculose, da SIDA, da Tripanossomíase e outras zoonoses, da sinistralidade rodoviária, das doenças crônicas evitáveis, das doenças diarreicas agudas, etc., merecer uma atenção adequada.

A municipalização dos serviços de saúde, a continuidade dos Programas de vacinação infantil, a atenção às Determinantes Sociais de Saúde, a formação continuada dos médicos, enfermeiros e técnicos de saúde, a expansão dos Agentes de Desenvolvimento Comunitário e Sanitário (ADECOS) e o incentivo ao Voluntariado social devem ser encorajados, assim como o envolvimento prioritário dos Governos Locais.

Excelências,

Minhas senhoras, meus senhores,

A 11 de Novembro do corrente ano, Angola celebra 45 anos desde a proclamação da Independência Nacional, sob o lema: “UNIDADE, ESTABILIDADE E DESENVOLVIMENTO.”.

Apelo à participação de todos, dentro dos limites e dos cuidados que a situação de Pandemia de Covid-19 exigem.

Nos Bairros e Povoações, nas Comunas e Distritos Urbanos, nos Municípios, nas Escolas e Universidades; nas Unidades do Exército, da Marinha e da Força Aérea; nas Esquadras policiais; nas Empresas e Serviços; nas Igrejas; nas Aeronaves, Rodovias e Navios; nas Representações diplomáticas e Comunidades de angolanos no estrangeiro; crianças, jovens, adultos, mulheres e idosos, Partidos Políticos, são todos chamados a participarem, de algum modo, nas celebrações do 11 de Novembro.

Vivemos tempos particularmente difíceis da história da humanidade, com transformações e desafios tão complexas, que exigem de cada um de nós coragem, sabedoria e confiança no presente e mas, também, esperança no futuro.

Nessas circunstâncias, ainda que as coisas pareçam muito difíceis ou até impossíveis, é preciso ter coragem e determinação para continuar a lutar pelo bem-estar do nosso País, do nosso Povo, da nossa Família e da cada Cidadão. Enfim, pelo bem-estar da Humanidade.

Neste dia consagrado ao Herói Nacional e Fundador da Nação angolana, Dr. António Agostinho Neto, é justo que homenageemos os heróis anónimos, Angolanas e Angolanos de Cabinda ao Cunene e do Mar ao leste, os que estão na diáspora e contribuem para uma Angola melhor, bem como os cidadãos estrangeiros que escolheram Angola para viver e trabalhar.

Termino, destacando que em 2022 assinala-se o centenário do nascimento do Presidente Neto. Apesar de coincidir com o ano das próximas Eleições Gerais, trata-se de um evento que está já na agenda da Fundação Dr. Agostinho Neto e que deve merecer a devida atenção institucional, acadêmica e da sociedade em geral.

Desejo a todas as famílias, um bom fim-de-semana prolongado.

Muito Obrigado!

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